top of page

O desenvolvimento de uma cidade também passa pelas decisões de suas empresas

Foto do escritor: Paula de Marco
Paula de Marco
13 de out.
3 min de leitura

Caxias do Sul ganhou destaque no Ranking de Competitividade dos Municípios 2026 ao conquistar, segundo a divulgação municipal, a primeira posição no Rio Grande do Sul no pilar Meio Ambiente. Entre os indicadores considerados nessa avaliação estão as emissões de gases de efeito estufa, a cobertura de floresta natural, o combate ao desmatamento ilegal, a velocidade do desmatamento e as áreas recuperadas. O resultado oferece uma oportunidade importante para ampliar a discussão sobre meio ambiente e compreender como o desenvolvimento de um território está relacionado às decisões tomadas por diferentes setores da sociedade.


Quando uma cidade apresenta resultados positivos em indicadores ambientais, é natural reconhecer a importância das políticas públicas, da gestão territorial e dos mecanismos de preservação.

Entretanto, o desenvolvimento sustentável de um município também está relacionado às atividades econômicas que acontecem nele. Empresas utilizam recursos naturais, movimentam cadeias produtivas, geram empregos, desenvolvem tecnologias e influenciam diretamente a maneira como o território cresce. Suas decisões podem contribuir para a redução de impactos ambientais, para a melhoria das condições sociais e para o fortalecimento da economia local.


Em uma cidade com forte presença industrial, como Caxias do Sul, essa relação merece atenção especial. A atividade empresarial possui papel relevante no desenvolvimento regional e, por isso, as discussões sobre sustentabilidade precisam ultrapassar o atendimento às obrigações legais. Cumprir requisitos ambientais, trabalhistas e regulatórios é indispensável, mas uma organização também pode avançar na compreensão dos impactos que produz, no uso eficiente dos recursos e na definição de compromissos relacionados à sua operação.


É a partir dessa conquista que a agenda ESG se aproxima da realidade dos territórios. Ao integrar aspectos ambientais, sociais e de governança à gestão, uma empresa passa a observar suas atividades de maneira mais ampla, considerando não apenas os resultados econômicos, mas também os efeitos de suas decisões sobre trabalhadores, fornecedores, comunidades e meio ambiente. Essa abordagem permite identificar riscos, reconhecer oportunidades e estabelecer prioridades coerentes com as características do negócio e da região onde ele está inserido.


A discussão sobre emissões de gases de efeito estufa é um exemplo dessa conexão.


Embora os inventários corporativos e os inventários territoriais possuam metodologias e limites diferentes, ambos contribuem para ampliar o conhecimento sobre as fontes de emissão e apoiar decisões de redução. Uma empresa que conhece suas emissões pode identificar oportunidades relacionadas ao consumo de combustíveis, à eficiência energética, ao transporte e aos processos produtivos. Quando essas informações passam a fazer parte da gestão, as decisões deixam de depender apenas de percepções e começam a ser orientadas por dados.


O mesmo raciocínio pode ser aplicado à gestão de resíduos, ao consumo de água, à escolha de fornecedores e ao desenvolvimento das pessoas. São temas que fazem parte da rotina empresarial e que, quando acompanhados de maneira estruturada, podem contribuir para melhorar o desempenho da organização e reduzir impactos sobre o território.


A sustentabilidade, nesse sentido, não precisa ser compreendida como uma atividade paralela ao negócio, mas como parte das decisões que influenciam sua continuidade e seu relacionamento com a sociedade.

Para que essa contribuição seja consistente, é necessário compreender a situação atual da empresa. Diagnósticos ESG, análises de materialidade, inventários de emissões e indicadores de sustentabilidade são instrumentos que ajudam a transformar iniciativas isoladas em informações organizadas e prioridades de gestão. Posteriormente, relatórios de sustentabilidade podem comunicar esses resultados, apresentar compromissos e demonstrar a evolução das ações desenvolvidas. Mais importante do que divulgar iniciativas é conseguir compreender e acompanhar os efeitos que elas produzem.


O reconhecimento de Caxias do Sul no pilar Meio Ambiente também reforça a importância de acompanhar os indicadores que caracterizam o território.


Um resultado positivo representa uma referência relevante, mas não significa que todos os desafios ambientais estejam resolvidos ou que todas as organizações apresentem o mesmo nível de desempenho. O desenvolvimento sustentável exige continuidade, acompanhamento e participação de diferentes atores, respeitando as responsabilidades e possibilidades de contribuição de cada um.


Uma cidade não se desenvolve de maneira sustentável apenas por aquilo que acontece na administração pública, assim como uma empresa não constrói sua trajetória isoladamente do lugar onde está instalada.


O fortalecimento dessa relação depende de decisões que considerem os impactos das atividades econômicas e as necessidades das pessoas que fazem parte do território. Quando a sustentabilidade passa a integrar a gestão empresarial, o desenvolvimento do negócio e o desenvolvimento da região encontram novas possibilidades de avançar juntos.


Comentários


Em destaque

bottom of page