As habilidades relacionais estão em extinção

O investimento sistemático em desenvolvimento das competências organizacionais deu lugar a ações isoladas e desconectadas da estratégia organizacional. Mas as empresas estão pagando caro e tendo resultados insuficientes.
O desenvolvimento dos talentos e das lideranças é um tema recorrente entre executivos e instituições representativas, mas, na prática, não é uma prioridade real na agenda das organizações. Desde a pandemia, a visão estratégica e de longo prazo teve seu espaço reduzido, e o foco das ações passou a mirar o curto prazo. Com isso, as empresas tomam decisões que afetam seu resultado imediato, sem avaliar implicações futuras. Quando falamos sobre desenvolvimento de competências, esse é um erro significativo: habilidades relacionais exigem continuidade, prática e tempo para amadurecer.
Em 1997, Steven Hankin, através do termo: Guerra por Talentos, compartilhava sua visão de futuro: a evolução tecnológica ampliaria a capacidade de processamento, e novos recursos exigiriam talentos qualificados; porém, esses profissionais seriam raros e levariam as empresas a uma disputa por competências. Hoje, podemos assegurar que ele estava correto.
O Valor Econômico destaca que 53% das empresas estão postergando projetos na área de tecnologia por ausência de talentos no ano de 2026.
É possível que, ao falarmos de talentos, em um primeiro momento, você associe o termo ao conhecimento técnico. No exemplo citado, estamos mencionando uma área em expansão: a tecnologia da informação. Mas talvez você se surpreenda, porque nós também estamos vivendo uma crise importante relacionada à incapacidade de relacionamento interpessoal.
A dificuldade é crescente e vem sendo observada em pesquisas comportamentais ao longo da última década. Por isso, o Fórum Econômico Mundial já sinaliza que as competências comportamentais são essenciais no seu radar de habilidades para o futuro até 2030. O relatório apresentado no ano passado, em Davos, destaca a necessidade de desenvolver o pensamento analítico, a criatividade, a resiliência, a flexibilidade, a agilidade, a curiosidade, o aprendizado contínuo, a liderança e a influência social. Essas habilidades não são facilmente treinadas, mas podem ser desenvolvidas com investimento de tempo, orientação e experiências de aprendizagem.
Nosso time de especialistas debateu esse contexto e identificou uma associação recorrente: a dificuldade de relacionamento e a ausência de habilidades relacionais costumam ser atribuídas à Geração Z. Mas essa associação não é um fato comprovado por pesquisas comportamentais nem corresponde à realidade percebida nos atendimentos do nosso time.
As pequenas gentilezas, o diálogo aberto e a capacidade de argumentação estão em declínio em grupos de amigos, no núcleo familiar e, por consequência, no ambiente de trabalho. Essa dificuldade gera custos, viu?
O impacto financeiro da ausência de habilidades relacionais
O impacto financeiro desse quadro pode ser apurado a partir de diferentes indicadores e situações. Os conflitos que fazem parte do convívio em sociedade, quando não solucionados, podem reduzir a comunicação, a velocidade das entregas e até mesmo impactar a qualidade do atendimento ao cliente. Esse impacto pode ser mapeado a partir de indicadores de vendas, de satisfação e de reuniões de acompanhamento com o time. Segundo a Gallup, 75% dos pedidos de desligamento estão associados ao mau comportamento dos líderes ao orientar, desenvolver ou reconhecer seus times. Será que as suas lideranças estão gerando engajamento ou custos extras?
O que você pode começar a fazer agora:
Por isso, você pode agir agora: estimule o seu time a ampliar os momentos de troca de experiências e aprendizado e dedique alguns minutos da sua semana a conversar com seus talentos. Estar presente e compartilhar experiências de vida ajuda a fortalecer as competências relacionais e a inspirar novos comportamentos. Para avançar ainda mais, aposte em programas de desenvolvimento focados em projetos aplicados e experiências ativas de aprendizagem.










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