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Unimed Serra Gaúcha é pioneira no uso de drones e promete agilidade e segurança no transporte de amostras entre Farroupilha e Caxias do Sul

Foto do escritor: Bruno Bazanella
Bruno Bazanella
23 de out.
3 min de leitura

Ao assumir o protagonismo na adoção do primeiro drone do Rio Grande do Sul destinado ao transporte de amostras laboratoriais, a Unimed Serra Gaúcha demonstra que inovação em saúde não precisa permanecer no campo das promessas.


A cooperativa identificou uma etapa sensível da jornada assistencial e estruturou uma solução para conectar o Pronto-Atendimento de Farroupilha à área técnica do Complexo Hospitalar, em Caxias do Sul. A rota programada de 17,4 quilômetros deverá reduzir o deslocamento de cerca de 30 minutos por via terrestre para aproximadamente 24 minutos de voo, com mais previsibilidade e menor exposição às condições do trânsito.


O drone é elétrico e transportará amostras biológicas de baixo risco. Mas o aspecto mais relevante da iniciativa não está no equipamento isoladamente. Está na compreensão de uma jornada: a amostra é coletada, acondicionada, transportada, recebida e processada até que o resultado chegue ao paciente e apoie uma decisão de saúde. Quando a inovação parte dessa visão de processo, ela deixa de ser uma vitrine tecnológica e passa a produzir valor real.


Em entrevista, Augusto Carvalho, representante da empresa fornecedora, ressaltou que a segurança técnica não depende apenas da aeronave, mas de um sistema integrado de operação. Entre os diferenciais apresentados estão a geolocalização durante o percurso, o paraquedas como recurso adicional de contingência e o acompanhamento do time técnico. Esses elementos ampliam o controle da rota e a capacidade de resposta, especialmente em uma atividade que exige rastreabilidade e proteção das amostras transportadas.

 

Como criar projetos de inovação como o da Unimed?

 

O mapeamento de processos deveria anteceder qualquer decisão de automação ou adoção tecnológica. Antes de escolher uma ferramenta, como um drone ou a inteligência artificial, empresários e executivos precisam compreender as necessidades do cliente, as condições de trabalho do colaborador e os objetivos do próprio negócio. Onde estão os gargalos, os retrabalhos e os riscos? Quais etapas interferem na experiência do cliente? Que indicadores mostrarão se a mudança melhorou prazo, qualidade, segurança e satisfação?


Inovar ou automatizar um processo mal compreendido pode apenas fazer o erro acontecer mais rápido. Projetos orientados exclusivamente à redução de despesas correm o risco de deslocar gargalos, ampliar a complexidade ou criar uma experiência impessoal. O investimento começa a se materializar em resultados quando existe um objetivo relacionado à jornada do cliente e quando os resultados são acompanhados por indicadores definidos desde o início.


No caso apresentado pela Unimed, o acompanhamento não deve se limitar ao tempo de voo. Pontualidade das coletas, integridade das amostras, necessidade de recoleta, tempo total até a liberação do resultado, disponibilidade da operação, custo por transporte e satisfação das equipes e dos pacientes formam um conjunto mais completo. A tecnologia só entrega impacto quando o indicador mede o processo inteiro, e não apenas a etapa automatizada.


Além dos drones, há outras tecnologias que podem ampliar a produtividade de gerar impacto nos seus negócios. O Gartner inclui IA física, sistemas multiagentes e modelos especializados entre as tendências estratégicas de 2026, enquanto a McKinsey destaca a convergência entre inteligência artificial, robótica, conectividade e mobilidade. A integração entre o físico e o digital revelam o desafio das nossas organizações.


Os números mostram que o apetite tecnológico das empresas brasileiras é elevado. No primeiro trimestre de 2026, 87% dos empresários planejavam ampliar os investimentos em tecnologia, enquanto 75% pretendiam aumentar os aportes na qualificação das equipes. Em outra perspectiva, o Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026 aponta investimento médio de 1,70% da folha anual, equivalente a R$ 1.199 por colaborador/ano.


Nenhum drone, robô ou sistema inteligente opera sozinho dentro de uma organização. Pessoas coletam, acondicionam, supervisionam, interpretam exceções, protegem dados, conversam com clientes e redesenham rotinas. Preparar essas pessoas não é uma atividade posterior à implementação: faz parte do próprio projeto. Treinamento técnico, compreensão do processo, segurança, comunicação e autonomia precisam avançar junto com a ferramenta.


O protagonismo da Unimed Serra Gaúcha pode inspirar outras organizações porque mostra uma tecnologia aplicada a uma necessidade concreta, com atenção à segurança, à operação e à jornada assistencial. O verdadeiro salto não está em simplesmente adotar drones, mas em liderar a transformação: observar jornadas, ouvir clientes e colaboradores, mapear processos, avaliar riscos, escolher indicadores e, somente então, selecionar e implementar a solução mais adequada.


O futuro não será construído pela tecnologia no lugar das pessoas. Será construído por pessoas capazes de dar propósito à tecnologia, redesenhar processos e transformar informação em decisões melhores. Investir em ferramentas amplia possibilidades; investir nas pessoas amplia a potência necessária para que essas possibilidades gerem resultados e melhorem vidas.


Referências consultadas: Unimed Serra Gaúcha, “Primeiro drone para transporte de amostras laboratoriais do RS será utilizado pela Unimed Serra Gaúcha”, 20 out. 2026; Gartner, “Top Strategic Technology Trends for 2026”; McKinsey & Company, “Technology Trends Outlook 2026”; Grant Thornton/International Business Report, dados divulgados em out. 2026; Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026, ABTD.

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