top of page

A tecnologia precisa estar a serviço das nossas necessidades – e não o contrário.

Foto do escritor: Bruno Bazanella
Bruno Bazanella
23 de out.
3 min de leitura

A Mercopar é uma das maiores feiras de tecnologia e automação para a indústria da América Latina.


Este é um título de bastante prestígio. Por isso, fizemos uma imersão para compreender o comportamento dos visitantes, a dimensão do evento e a oferta de soluções que a feira apresenta para o mercado.


Os indicadores da edição anterior ajudam a dimensionar sua relevância econômica. Em 2025, a Mercopar reuniu 528 expositores, recebeu mais de 44 mil visitantes e alcançou uma expectativa de R$ 1,014 bilhão em negócios. Mais do que movimentar os pavilhões durante quatro dias, esse volume revela a capacidade da feira de aproximar investimentos, fornecedores e demandas reais da indústria. Além disso, a ocupação hoteleira em Caxias do Sul e cidades próximas superou 80% e estima-se a criação de até 2,7 mil vagas diretas de emprego ao considerar a edição anterior.


As rodadas de negócios reforçam esse papel. Em 2025, foram realizadas 8.799 agendas entre micro e pequenas empresas, grandes indústrias e compradores nacionais e internacionais. Essas conexões geraram mais de R$ 260 milhões em negócios ao longo dos 12 meses seguintes, demonstrando que o impacto econômico da Mercopar continua depois do encerramento do evento e pode se transformar em contratos, novos mercados e fortalecimento das cadeias produtivas.


Em 2026, a feira chegou à 35ª edição com 545 expositores confirmados, incluindo empresas de diferentes regiões do Brasil e de Portugal, além de 50 startups. A ocupação integral dos espaços e a presença de compradores dos mercados regional, nacional e internacional confirmam que a Mercopar não é apenas uma vitrine de máquinas e soluções: é uma plataforma de desenvolvimento industrial, na qual inovação, competitividade e geração de negócios precisam caminhar juntas.

 

O turismo como perspectiva de crescimento

e desenvolvimento regional

 

O turismo de negócios pode ser uma alternativa para o desenvolvimento regional da Serra Gaúcha porque distribui seus efeitos por uma cadeia ampla: hotéis, restaurantes, transporte, comércio, serviços técnicos, espaços para eventos e produtores locais. Diferentemente de atividades concentradas em um único empreendimento, cada feira, congresso ou convenção coloca visitantes em circulação e transforma a estrutura produtiva da região em parte da experiência.


Essa perspectiva ficou ainda mais clara para mim durante a Reunião-Almoço da CIC Caxias, com a fundadora e CEO da Blue Tree Hotels, Chieko Aoki. Ao apresentar Singapura como referência, ela mostrou como planejamento de longo prazo, qualificação das pessoas, grandes eventos e investimentos contínuos em novos atrativos ajudaram a transformar o turismo em um setor estratégico. A mensagem foi objetiva: hotelaria e turismo não crescem de forma isolada; quando o destino cresce, os negócios crescem junto.


A comparação de escala ajuda a compreender o desafio. Singapura ocupa apenas 736,3 quilômetros quadrados, enquanto a Região Metropolitana da Serra Gaúcha, com 13 municípios, alcança aproximadamente 4.605 quilômetros quadrados — mais de seis vezes a área do país asiático. Se adotarmos o recorte mais amplo utilizado pelo Observatório do Turismo da Serra Gaúcha, formado por 49 municípios, a diferença territorial é ainda maior. Portanto, a Serra não sofre de falta de espaço ou de atrativos; seu desafio está em integrar o território, organizar a oferta e facilitar o deslocamento entre experiências complementares.


Em 2025, Singapura recebeu 16,9 milhões de visitantes internacionais, registrou permanência média de 3,48 dias e obteve S$ 32,755 bilhões em receitas turísticas. Na Serra Gaúcha, ainda não existe uma estatística anual consolidada, com a mesma metodologia, para todos os 49 municípios. Como referência disponível — e sem confundir Gramado com toda a região — o principal destino serrano recebeu cerca de 7,9 milhões de visitantes em 2025, com permanência média estimada em 4,63 pernoites. Os números demonstram força de mercado, mas também evidenciam a necessidade de indicadores regionais comparáveis.


A principal lição de Singapura não está em copiar um modelo, mas em compreender a importância da estratégia. A Serra Gaúcha já reúne indústria, vitivinicultura, gastronomia, cultura, saúde, universidades, paisagens e eventos reconhecidos. O turismo de negócios pode conectar esses ativos: uma agenda profissional em Caxias do Sul pode se estender às vinícolas de Bento Gonçalves ou Flores da Cunha, à gastronomia regional, às experiências de Gramado e Canela e aos roteiros rurais de municípios menores. Quanto maior a permanência, maior tende a ser a circulação de renda.


Para avançar, a região precisa pensar e agir como destino integrado. Isso exige calendário coordenado de eventos, estrutura para convenções, mobilidade regional, promoção conjunta, qualificação contínua das equipes e monitoramento de indicadores como origem dos visitantes, permanência, gasto médio, ocupação hoteleira e intenção de retorno.


A tecnologia pode apoiar esse processo, mas a hospitalidade continuará sendo construída por pessoas.

O turismo de negócios será uma alternativa real de desenvolvimento quando a Serra transformar seus diferentes ativos em uma jornada coerente, acolhedora e capaz de gerar valor para visitantes, empresas e comunidades.

Comentários


Em destaque

bottom of page